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Curso de Introdução ao Pensamento Buddhista

III CURSO DE INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO BUDDHISTA

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O CURSO:
Direcionado a todos os interessados em aprender Buddhismo, o curso oferece uma apresentação sistemática e organizada dos ensinos de Buddha. Sua proposta é que o participante conheça, a partir de uma visão integral e não sectária, os principais aspectos da tradição e seu extenso corpo de ensinamentos.

CONTEÚDOS:
– história do Buddha e do buddhismo,
– formação das diferentes escolas,
– princípios e instruções essenciais,
– categorias e níveis de ensinamentos,
– cosmologia e terminologia buddhistas,
– introdução ao estudo das escrituras buddhistas,
– estudo da mente e das emoções no buddhismo,
– reflexões sobre buddhismo e modernidade,
– vivência de práticas variadas…

MINISTRANTE: Prof. Henrique Pires

DATAS:
Dividido em três módulos e totalizando um mínimo de 12 aulas presenciais, o curso extensivo está agendado para os SÁBADOS de março, abril e maio de 2017, ocorrendo sempre das 15 às 16:30 nas dependências do Templo Tzong Kwan.

PARA PARTICIPAR:
A contribuição total para os três módulos é de R$270,00 (ou 3x de R$90,00). Para inscrever-se ou tirar mais dúvidas, mande um e-mail para tzongkwan@gmail.com

Contribuições budistas para uma mente feliz

O ensinamento básico do budismo se refere a como a infelicidade inerente ao ser humano é continuamente alimentada por cada um de nós quando permanecemos desatentos. Tendemos a ser tendenciosos demais em relação às situações cotidianas, classificando tudo à nossa volta em termos de bom ou ruim, belo ou feio, superior ou inferior. Raramente temos uma postura neutra e consciente para enxergar as coisas como são.

Desse modo, reagimos com apego (quando achamos que algo é bom) ou aversão (quando achamos que é ruim) – sem percebermos, estamos educando as nossas mentes para serem discriminatórias e impulsivas. Uma mente impulsiva vive oscilando, dispersa, perdida em seus devaneios, sendo arrastada pelos seus desejos. Há um ditado bastante usado nas recentes pesquisas científicas relacionadas ao bem estar: “a wandering mind is an unhappy mind” (“uma mente dispersa é uma mente infeliz”).

Nós só nos libertamos dessa situação quando tomamos a atitude de acordar, de sair dessa agitação infligida pela mente e de viver o dia-a-dia com maior consciência. Ao disciplinarmos nossas mentes para permanecerem conectadas com o aqui e agora, deixamos de alimentar suas ilusões, suas expectativas e seus medos.

Mestre Jiru

O Mestre Jiru, monge budista residente nos EUA, deu três dicas importantes a esse respeito em sua recente visita ao Brasil no Templo Tzong Kwan:

1) Seja disciplinado. Isso é fundamental para progredir e desenvolver uma mente estável. Estabeleça horários, regras para a sua prática formal de meditação e cumpra com boa vontade.

2) Conheça o método. Se você for alguém esforçado e interessado, poderá ter a sua prática reforçada por leituras, participação em palestras, pesquisas sobre o tema (mente, meditação). Você ganha mais confiança para seguir em frente.

3) Pratique a atenção plena no dia-a-dia. Esteja atento, observe as tendências da sua mente e saiba parar no momento oportuno. A mente se perde rapidamente em meio aos prazeres como comida e diversões quaisquer. Acostume-se com a simplicidade: alimentação simples, diversões moderadas.

Praticando dessa maneira, estaremos criando o ambiente propício para o desenvolvimento das qualidades mentais necessárias para um estado de felicidade e paz.

Marco Moura

O Ano do Macaco está aí!

No dia 8 de fevereiro de 2016 começou o Ano Novo Chinês! O animal representativo desse ano é o macaco e o elemento é o fogo. Macaco de fogo! No horóscopo chinês, o macaco é um animal astuto, cheio de energia, que aproveita as oportunidades e, com isso, tem boa sorte no que faz. Somado ao elemento fogo, o mais Yang dos elementos, toda essa energia estará predominantemente em alta durante o ano.

Quais os aspectos positivos e negativos dessa combinação? As oportunidades para se ter sucesso e avançar em seus empreendimentos pode estar em alta, porém, a impulsividade descontrolada pode levar a perder as boas chances. Como um macaco pulando de galho em galho sem conseguir parar, a mente agitada pela energia Yang pode ter muito pouca calma e clareza para administrar seu ímpeto. Muitas vezes, o que é demais se torna de menos. Esse é um cuidado e uma lição que o Macaco nos mostra, se pudermos parar e observar. Investir no autodomínio deve ser algo a se considerar.

11a festa do ano novo chinês na Liberdade.

Aqui em São Paulo, a comemoração do Ano Novo Chinês contou no bairro da Liberdade com um grande festejo. Nos dias 13 e 14, sábado e domingo, a Praça da Liberdade sediou essa comemoração, contando com apresentações artísticas e culturais chinesas, desde a abertura com a dança do leão, trazendo auspiciosidade para o novo ano, além de diversas atrações ao longo do dia.

O Centro Cultural Tzong Kwan fez sua participação com apresentações de Tai Chi Chuan e Kung Fu. A Escola Arte Nobre do Sifu Francisco Nobre deu início ao evento no sábado com a dança do leão. No domingo às 14h30, fez apresentações de Kung Fu e às 17h, foi a vez do grupo de Tai Chi Chuan e Kung Fu Garra de Águia do Prof. Marco Moura.

Fotos em: https://goo.gl/photos/wvkMe4ZkzpH8sbRu8

Veja a prévia da comemoração ocorrida em 04/02/2016 no MASP:

Aproveite também para domesticar o seu macaquinho mental e aprenda a montar um macaco de origami com a nossa aluna Cristina Duarte:

Marco D. Moura

Rumo a 2016

Ao final de mais um ano, agradeço a todos os alunos que estiveram conosco e faço votos de que em 2016 possamos seguir juntos com vitalidade e sabedoria dia a dia! Treinamos para que a mente e o corpo unificados e bem disciplinados nos conduzam a um caminho de paz e harmonia. Que possamos enfrentar os desafios com determinação e nutrir o coração para viver cada dia com menos confusão e mais simplicidade, com menos exigências e mais gratidão.

Retornaremos às nossas atividades em 04/01/2016 com força total! Todos que estiverem dispostos a aproveitar as férias para intensificar o treino durante o mês de janeiro poderão frequentar todas as aulas da sua modalidade no período de manhã e noite pelo valor de três vezes por semana (R$ 150,00).

Curso de Meditação
Três turmas programadas:
• Janeiro/2016 – Terças e Quintas das 19h30 às 20h45. Datas: 19, 21, 26 e 28/01/2016.
• Fevereiro/2016 – Terças-feiras das 19h45 às 21h. Datas: 16/02, 23/02, 01/03 e 08/03.
• Fevereiro/2016 – Sábados das 10h45 às 12h. Datas: 20/02, 27/02, 05/03 e 12/03.
Inscreva-se aqui.

Kung Fu

Horários:
2ª e 4ª: 19h45 às 20h55 (noite).
3ª e 5ª: 9h às 10h (manhã).
Sábados: 9h às 10h10.

Novidades:
• Horário matutino: em janeiro, estará aberto o horário matutino de terças e quintas-feiras às 9h, que será mantido no caso de um número mínimo de alunos no período.
• O horário das 18h30 às 19h30 de terças e quintas estará suspenso durante janeiro, sendo substituído pelo horário matutino.

Tivemos um ano com muito trabalho e, consequentemente, com grande crescimento. Que a nossa família Garra de Águia continue a prosperar com o apoio de cada um de vocês. Muito obrigado pela dedicação e que as águias alcancem altos voos!

Tai Chi Chuan

Horários:
2ª e 4ª: 18h30 às 19h30 (noite).
3ª e 5ª: 8h às 9h (manhã).
Sábados: Tui Shou às 8h.

Novidades:
• Curso de Tai Chi Espada do estilo Pai Lin em fevereiro. Eleve o nível do seu Tai Chi e “mova-se como a fênix em vôo” (metáfora chinesa para a espada).
• Curso de Tai Chi estilo Chen – primeira parte da forma Laojia yilu com monge em visita ao Brasil trazendo a técnica do berço do Tai Chi, a Vila Chen na China.
Programação em breve!

Tui Shou – prática a dois do Tai Chi. Disponível para novos interessados mediante análise prévia para formação de duplas.

Contamos agora com mais uma sala para treino, disponibilizando maior área para desenvolvimento de nossos alunos em duas opções de piso: tatami e piso tradicional.

Boas festas a todos e um 2016 de muita harmonia!

Prof. Marco Moura
Centro Cultural Tzong Kwan

Começa o Ano da Cabra!

2015 - ano chinês da cabraEm 19/02/2015, teve início o ano novo no calendário chinês. No horóscopo chinês, é o ano da Cabra do elemento Madeira. Os anos regidos pela cabra são influenciados pelas características dóceis desse animal, pela busca da harmonia e pela serenidade. O ano favorece os contatos afetivos e familiares, a introspecção, a meditação e, tratando-se do elemento madeira, estarão mais afloradas a expressão artística e a imaginação. A característica yin de cabra pode, por outro lado e sem o devido cuidado, trazer um ar de passividade e pessimismo, o que deve ser contornado com a criatividade e flexibilidade de madeira, possibilitando maneiras diversas de se adaptar a uma situação. Depende só da força de vontade.

Cristina Duarte Mandalas
Mandala criada por Cristina Duarte.

Para trazer bons fluidos ao novo ano e energizar o ambiente do Centro Cultural Tzong Kwan, recebemos uma linda mandala personalizada pintada pela artista Cristina Duarte. As mandalas, com suas formas arredondadas, favorecem a transmutação de energia e estimulam a espiritualidade. No centro desta mandala, temos o símbolo “Tai Chi” equilibrando as energias Yin e Yang, envolto ao “bagua” com os trigramas do I Ching, tradicionalmente recomendado no Feng Shui para proteção e harmonia do estabelecimento. As cores quentes amarelo, laranja e vermelho que predominam na mandala, além de combinarem com as cores da sala de treino, favorecem a energia Yang da determinação, coragem, força e autoexpressão. Ou seja, nada de corpo mole nas aulas! A ociosidade característica da cabra não terá vez em nossa sala de treino…

Ano novo chinês na LiberdadeNos dias 21 e 22/02/15, o ano novo chinês foi celebrado na Praça da Liberdade em São Paulo a partir das 11h com apresentações de dança do leão, artes marciais, música e diversas outras atrações relacionadas à cultura chinesa. A Escola Arte Nobre, à qual o grupo de Kung Fu Tzong Kwan é filiado, fez belíssimas apresentações de dança do leão na abertura do evento e de Kung Fu.

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Um feliz ano novo chinês a todos os alunos e amigos do Centro Cultural e Templo Tzong Kwan!
Xin nian kuai le!!!

Marco Defensor de Moura
http://www.dao.com.br/

Sutra do Coração – Versão de Thich Nhat Hanh

Nova tradução do Sutra do Coração feita pelo Mestre Thich Nhat Hanh. Segundo ele, esta versão procura evitar equívocos de interpretações dos ensinamentos.

O Insight que Nos Leva à Outra Margem

Avalokiteshvara, ao praticar profundamente o Insight que Nos Leva à Outra Margem, espontaneamente descobriu que os cinco Skandhas são todos igualmente vazios e, com essa constatação, ele superou todo o mal-estar.

Ouça, Sariputra, este corpo por si mesmo é vazio e o vazio por si mesmo é este corpo.
Este corpo não é nada mais do que vazio e vazio não é nada mais do que este corpo.
O mesmo é válido para os sentimentos, percepções, formações mentais e consciência.

Ouça, Sariputra, todos os fenômenos carregam a marca do vazio; a natureza real deles é a natureza do não nascimento e não morte, não ser e não sem ser, não corrupto e não imaculado, não crescimento e não diminuição.

Eis porque no vazio, o corpo, os sentimentos, as percepções, as formações mentais e a consciência não são entidades individuais separadas.

Os dezoito reinos dos fenômenos que são os seis órgãos dos sentidos, os seis objetos dos sentidos e as seis consciências, tampouco são entidades individuais separadas.

Os doze elos do surgimento interdependente e suas extinções também não são entidades individuais separadas.

O mal-estar, a sua causa, o seu cessar, o seu caminho, o insight e a conquista tampouco são entidades individuais separadas.

Aquele que puder ver isso não precisará de mais nada para conquistar.

Os Bodhisattvas que praticam o Insight que Nos Leva à outra Margem não veem mais nenhum obstáculo em suas mentes e porque não há mais obstáculos em suas mentes, eles superam todo o medo, destroem todas as percepções errôneas e realizam o Nirvana Perfeito.

Todos os Buddhas do passado, presente e futuro, por praticarem o Insight que Nos Leva à outra Margem, são capazes de atingir a autêntica e perfeita Iluminação.

Portanto, Sariputra, deve-se saber que o Insight que Nos Leva à Outra Margem é um grande mantra, o mantra mais iluminado, o mantra mais elevado, o mantra além de toda comparação, a verdadeira sabedoria que tem o poder de cessar todos os tipos de sofrimento. Portanto, vamos proclamar um mantra que glorifica o Insight que Nos Leva à Outra Margem:

Gate Gate Paragate Parasamgate Bodhi Svaha!
Gate Gate Paragate Parasamgate Bodhi Svaha!
Gate Gate Paragate Parasamgate Bodhi Svaha!

Versão em inglês

O caminho budista

Budismo no Templo Tzong Kwan

Religião, filosofia, doutrina – não há uma definição certeira para o budismo. Independente de rótulos, saber que a sua prática conduz à felicidade já é o suficiente. Vejo o budismo, acima de tudo, como um caminho realista para enxergar a vida como ela é. Isso evita que criemos percepções equivocadas da realidade e, sem esse equívoco, podemos desmanchar nossas falsas expectativas, podemos compreender onde os nossos passos podem nos levar e seguir conscientemente rumo à fonte da real felicidade.

O budismo nos ensina a ver além das aparências. Enquanto seguimos a vida sem atenção, vemos o mundo como uma realidade pronta onde o nosso papel é achar o nosso espaço nele. Olhando para além das aparências, vemos que o mundo não está pronto, ao invés, está sendo construído e atualizado constantemente segundo a lei de causa e efeito. Nós também somos produtos dessa lei e estamos integrados à realidade onde estamos inseridos. O nosso papel diante dessa realidade não é sermos conformistas; é compreendermos como tudo isso funciona e assumirmos a responsabilidade como agentes criadores. Nós plantamos as sementes ocultas da nossa existência. Para atuarmos com êxito no palco da vida, é preciso que tenhamos discernimento. Assim, temos um rumo, um sentido e uma perspectiva para um estado além de todas essas condições insatisfatórias. Estamos no caminho da iluminação.

Não vejo promessas no budismo. A iluminação não é uma recompensa para quem seguir a trilha budista – é a perspectiva de um estado além de toda a construção ilusória que criamos. É bastante lógico: se o sofrimento é resultado da nossa percepção equivocada da realidade, quando essa percepção é superada, o sofrimento se esvai. Não há nada de surreal nisso. O budismo não incentiva a fé cega, mas a lucidez.

O público que assiste a uma peça de teatro não sabe como funcionam os bastidores. Ele vê o cenário montado, as encenações, mas não sabe como tudo funciona. O ensinamento básico de Buda é que tudo o que existe é sustentado por causas e condições. A causa é o fator direto que manifesta o fenômeno, as condições são os fatores indiretos. Os nossos pensamentos, falas e ações surgem de causas e condições e, ao mesmo tempo, são investimentos em novas causas. A semente faz surgir a planta, que gera novas sementes. A vida é um ciclo.

Aprender a ter atenção plena no dia-a-dia cria sementes de lucidez. Uma pessoa lúcida e tranquila se liberta das armadilhas do pensamento e emoções conflitantes. A pessoa não se torna fria, ao contrário, aprende a aguçar ainda mais a sua sensibilidade. Aprende também a ter foco e a lidar com a sua energia mental. Portanto, em situações difíceis onde a mente poderia ser bombardeada com pensamentos e emoções descontroladas que amplificariam o problema, o meditador tem discernimento para injetar a sua energia mental de modo adequado. Por exemplo, ao invés da raiva descontrolada, a pessoa opta por guiar a energia da ação de forma enérgica, mas equilibrada. Ao invés do medo exagerado, pode reconhecer os riscos presentes, prestar atenção e agir com prudência, sem amplificar suas imaginações.

Dentre inúmeras práticas budistas, a meditação é uma das principais, pois ela revela o quanto nossas mentes são tagarelas e condicionadas. Por meio da meditação, as nossas mentes se purificam, se tornam mais lúcidas e o dia-a-dia se torna mais vívido. Porém, não são todos que estão abertos para esse tipo de prática, que requer responsabilidade pelos pensamentos e ações. Nem todos estão dispostos a abrir mão do comodismo de seus hábitos para assumir o seu papel como co-criador da realidade. Porém, para aqueles que reconhecem que a libertação está em suas mãos, o compromisso é assumido naturalmente.

Marco Moura

Mensagem do ator Jet Li

Conheça a mensagem do ator Jet Li, astro de artes marciais:

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A vida no século 21 não é fácil. O homem moderno tem se tornado mais ocupado e distraído do que nunca. A tecnologia acelerou enormemente a evolução na vida e, mesmo assim, ainda queremos tudo mais rápido: telefones mais rápidos, internet mais rápida, carros mais rápidos. Nessa busca desenfreada pela velocidade, nós temos deixado inconscientemente que o nosso trabalho passe de 8h diárias para 16h ou até 21h.

Exaustos diante da cama, nós ainda ficamos lendo e-mails e mensagens. A primeira coisa ao acordar é checar o whatsApp. O nosso estilo de vida moderno nos sobrecarrega e nos causa estresse e doença.

Sabe, nesse contexto, acredito que a cultura chinesa antiga tem uma sabedoria simples para compartilhar conosco: o equilíbrio. Viver em um ritmo acelerado o tempo todo é como querer o dia sem a noite. Não fomos feitos para viver assim. Mude o seu ponto de vista. Desacelere… e você pode encontrar o equilíbrio. A busca pelo equilíbrio é uma parte importante de nossas vidas.

Jack Ma (fundador do grupo Alibaba): “Pelos últimos 10 anos estressantes, acredito que fui capaz de continuamente ser passional em relação ao meu trabalho, a nunca ter medo da competição e a buscar constantemente inovação por causa da minha prática de Tai Chi Chuan. Talvez eu só tenha chegado a isso nessa idade da minha vida, mas estou mais certo do que nunca que qualquer um que trabalhe duro por 10 ou 20 anos, não importa o que faça, chegará à mesma conclusão: o nosso propósito mais essencial é entender as nossas vidas e decidir como vivê-la. Esse é o espírito que o Tai Chi espera compartilhar com o mundo.”

Saúde e felicidade.
O Tai Chi é um caminho em direção a uma saúde melhor.
A meditação zen ajuda a expandir os limites da sua mente e a libertar o seu espírito.

Eu realmente espero que o Tai Chi possa ajudar a trazer equilíbrio para nossas vidas modernas para que possamos encontrar saúde e felicidade, porque eu te desejo saúde e te desejo felicidade.

Jet Li (ator e filantrópico)

O nada que preenche o vazio

Em muitas situações cotidianas, sentimos falta do silêncio. Ele parece se afastar quando os ruídos chegam. O ruído não precisa ser sonoro, pode ser um ruído mental ou emocional, algo que tire o sossego. Porém, note que o silêncio continua por trás do ruído, ele não vai embora. Quando o ruído é maior do que a nossa capacidade de nos manter estáveis, nos sentimos perturbados. Isso significa que ao invés do ruído sobrepor o silêncio, somos nós que afastamos o silêncio ao darmos atenção ao ruído. Ou seja, a culpa não é do ruído, é da nossa mente que parece não estar imune contra ele. 

Ouça um som qualquer. Ele tem um começo e um fim. Se o som fosse constante, estaríamos tão acostumados com ele que não o notaríamos. Assim como o ar que respiramos, o silêncio não é notado até que algo o sobreponha. O silêncio de fundo é essencial para que possamos identificar o som. Se não houvesse silêncio, apenas ruído, não seria possível identificar som algum.

No silêncio, percebemos o surgimento e o fim do som, daí então o associamos a uma imagem. Atribuímos uma forma a ele. Por exemplo: ouço um som, reconheço que é de voz humana, a minha memória associa o timbre da voz a uma pessoa e afirmo que é fulano falando. O mesmo acontece com tudo o que é captado pelos órgãos dos sentidos, seja imagem, som, cheiro, sabor, toque ou pensamento: há um plano vazio que permite a sua existência (surgimento e cessação), ele é captado, nós o identificamos e o associamos a uma imagem. Um pequeno estímulo sensorial ganha uma forma e se desenvolve no solo da mente.

VazioEm nosso mundo físico, o mundo das formas, toda forma é minúscula diante da dimensão ilimitada do espaço, do silêncio e do tempo. Essa dimensão vazia é o espaço que permite a existência das formas, o silêncio que fica de fundo para o surgimento do som e o tempo ilimitado onde ocorre o presente. Diante de uma realidade vasta, qual a importância real de fenômenos minúsculos? Valorizar um fenômeno sem reconhecer a totalidade daquilo que apóia o seu surgimento não faz sentido. A forma é constituída basicamente de vazio. O esqueleto do universo é vazio, nós o recheamos com nossos conceitos, com ideias e formas. Nós lhe atribuímos um significado. Está tudo na mente. Não faz sentido valorizar o vazio?

A mente não reconhece o vazio, apenas a forma. Por isso, valoriza e vive perseguindo a forma, desejando alguma coisa. O desejo cria o pensamento. Quer nos identifiquemos com uma forma de maneira positiva ou negativa, nós lhe damos atenção de qualquer jeito. Por exemplo, ao ouvirmos um som e reconhecermos que é a voz de uma pessoa que nos agrada ou nos incomoda, nós lhe damos atenção e criamos o ruído. É fácil notar como damos atenção às coisas e pessoas que nos incomodam ao invés de simplesmente deixarmos pra lá. A mente é encrenqueira. Se fôssemos indiferentes a essa pessoa e ao som, sua fala seria como o silêncio.

A mente indisciplinada busca incessantemente a forma e, desse modo, sobrepõe o silêncio com o caos. Pensamentos em excesso tiram a clareza e deixam a mente cheia. Imagens, sons, cheiros, sabores e toques em excesso desorganizam a sensibilidade e a percepção se torna grosseira, nada refinada. Em outras palavras, a mente cheia se torna confusa e desequilibrada, pois perde o vazio fundamental que se manifesta como espaço vazio, silêncio e momento presente.

Esse ruído que causa tanta confusão e ao qual nos prendemos, se observarmos profundamente a sua origem, percebemos que é um grande nada. Surgido como uma pequena semente, agregando pensamentos até tornar-se um nó confuso. Se puxarmos a linha, o emaranhado de pensamentos se desfaz e retornamos ao plano original e livre do vazio. Esse puxar a linha significa presenciar o momento com inteireza, atenção plena e ausência de julgamentos.

Marco Moura

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